sábado, 19 de fevereiro de 2011

Você conhece a dislexia?



Compreendida como um transtorno de aprendizagem de origem neurológica, a dislexia é um grave problema escolar que chega a atingir até 17% das crianças em todo o mundo.

Pode ser considerado disléxico o indivíduo que, apesar de possuir inteligência normal ou superior à média, ter recebido escolarização adequada e bons estímulos socioculturais, enfrenta grandes dificuldades para distinguir e memorizar letras, compreender palavras e frases, tendo afetadas assim suas capacidades de ler e de escrever. Tais dificuldades são manifestas desde o início da vida escolar da criança, persistindo caso não haja intervenção profissional especializada que possibilite a minimização dos sintomas.

Pesquisas recentes apontam que a causa da dislexia é genética, ocasionando alterações nas conexões das áreas cerebrais responsáveis pela aprendizagem da leitura e da escrita. O disléxico encontra, portanto, grande dificuldade em associar sons às letras que os representam, tornando difícil o ato de ler, pois mesmo que seja uma palavra que já havia sido estudada, para ele a impressão é de que está sendo vista pela primeira vez. Tal alteração neurobiológica significa apenas que o disléxico tem uma maneira diferente de aprender e não está de forma alguma associada à falta de inteligência, pois geralmente ele é mais curioso e criativo que os demais.

Ainda na Educação Infantil, alguns sinais já podem apontar para um possível quadro de dislexia: dispersão, fraca atenção, atraso na fala, dificuldade em aprender rimas e canções, coordenação motora fraca, etc. Já no Ensino Fundamental, as maiores dificuldades são quanto à cópia de livros e do quadro, coordenação motora fina (traçado de letras, de desenhos e pintura) irregular, confusão entre direito e esquerdo, leitura muito lenta e insegura para a idade, falta ou adição de letras, confusão entre letras com escrita ou sons parecidos (a/o, c/o, f/t, m/n, b/d, b/p, f/v, etc.), inversão de letras (mãe/meã, sol/los) dificuldade em soletrar, em compreender textos e em aprender sequências como, por exemplo, os dias da semana. Em alguns casos a dislexia é acompanhada de disgrafia (letra feia) e discalculia (dificuldade em matemática). Como saber ler é base fundamental para outras aprendizagens, quando não recebe auxílio devido, o disléxico segue acumulando defasagens em várias disciplinas escolares e obstáculos na aprendizagem de um segundo idioma.

É importante destacar que, mesmo sendo observados alguns desses sinais, não significa que a criança é disléxica. Há de se considerar a exclusão de fatores como déficit intelectual, dificuldades auditivas, lesões cerebrais e comprometimentos emocionais. Por se tratar de sintomas que podem também estar associados a outros fatores e não somente à dislexia, o diagnóstico deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar, composta por psicólogo, psicopedagogo clínico e fonoaudiólogo, sendo ainda necessária muitas vezes avaliação oftalmológica e neurológica. Após o diagnóstico, a intervenção psicopedagógica com disléxicos objetiva dar suporte às atividades escolares, promovendo caminhos que facilitem o processo de aprendizagem da escrita e da leitura. Muitas vezes o psicopedagogo irá realizar intervenções junto à escola onde o cliente estuda, orientando os professores quanto à dislexia e a melhor forma de lidar com o aluno.

Ao contrário do que muitos pensam a dislexia não impossibilita a aprendizagem da leitura e da escrita, porém, por se tratar de um transtorno pouco conhecido pelos profissionais da Educação, o aluno disléxico geralmente é vítima de exigências que não consegue cumprir como os demais, pois para ele o ensino precisa ser diferenciado, oferecendo-lhe estratégias pedagógicas adequadas.

Por desconhecimento da escola e da família, muitas vezes a dislexia é confundida com falta de inteligência ou preguiça para estudar, e o disléxico, incompreendido, passa por situações constrangedoras que muitas vezes deixam marcas traumáticas, colaborando para o surgimento de comportamentos indisciplinados e agressivos, ou tímidos e inseguros. A intervenção clínica precoce possibilitará ao disléxico encontrar suas próprias estratégias de aprendizagem, superando as dificuldades escolares, aumentando sua autoestima e conquistando uma vida profissional sem nenhuma restrição.

A dislexia e outros transtornos da aprendizagem são tão complexos que a discussão sobre cada um não caberia no limitado espaço deste artigo. O que pretendi aqui foi transmitir informações que possam ajudar pais e professores a olharem com mais atenção para as crianças que não estão conseguindo aprender como o esperado. Sejam quais forem as dificuldades que encontrem, nosso dever é saber ajudá-las a superar, amando cada uma com a certeza de que são muito especiais.

Por: Kelly Campos - Psicopedagoga