sábado, 19 de fevereiro de 2011

Você conhece a dislexia?



Compreendida como um transtorno de aprendizagem de origem neurológica, a dislexia é um grave problema escolar que chega a atingir até 17% das crianças em todo o mundo.

Pode ser considerado disléxico o indivíduo que, apesar de possuir inteligência normal ou superior à média, ter recebido escolarização adequada e bons estímulos socioculturais, enfrenta grandes dificuldades para distinguir e memorizar letras, compreender palavras e frases, tendo afetadas assim suas capacidades de ler e de escrever. Tais dificuldades são manifestas desde o início da vida escolar da criança, persistindo caso não haja intervenção profissional especializada que possibilite a minimização dos sintomas.

Pesquisas recentes apontam que a causa da dislexia é genética, ocasionando alterações nas conexões das áreas cerebrais responsáveis pela aprendizagem da leitura e da escrita. O disléxico encontra, portanto, grande dificuldade em associar sons às letras que os representam, tornando difícil o ato de ler, pois mesmo que seja uma palavra que já havia sido estudada, para ele a impressão é de que está sendo vista pela primeira vez. Tal alteração neurobiológica significa apenas que o disléxico tem uma maneira diferente de aprender e não está de forma alguma associada à falta de inteligência, pois geralmente ele é mais curioso e criativo que os demais.

Ainda na Educação Infantil, alguns sinais já podem apontar para um possível quadro de dislexia: dispersão, fraca atenção, atraso na fala, dificuldade em aprender rimas e canções, coordenação motora fraca, etc. Já no Ensino Fundamental, as maiores dificuldades são quanto à cópia de livros e do quadro, coordenação motora fina (traçado de letras, de desenhos e pintura) irregular, confusão entre direito e esquerdo, leitura muito lenta e insegura para a idade, falta ou adição de letras, confusão entre letras com escrita ou sons parecidos (a/o, c/o, f/t, m/n, b/d, b/p, f/v, etc.), inversão de letras (mãe/meã, sol/los) dificuldade em soletrar, em compreender textos e em aprender sequências como, por exemplo, os dias da semana. Em alguns casos a dislexia é acompanhada de disgrafia (letra feia) e discalculia (dificuldade em matemática). Como saber ler é base fundamental para outras aprendizagens, quando não recebe auxílio devido, o disléxico segue acumulando defasagens em várias disciplinas escolares e obstáculos na aprendizagem de um segundo idioma.

É importante destacar que, mesmo sendo observados alguns desses sinais, não significa que a criança é disléxica. Há de se considerar a exclusão de fatores como déficit intelectual, dificuldades auditivas, lesões cerebrais e comprometimentos emocionais. Por se tratar de sintomas que podem também estar associados a outros fatores e não somente à dislexia, o diagnóstico deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar, composta por psicólogo, psicopedagogo clínico e fonoaudiólogo, sendo ainda necessária muitas vezes avaliação oftalmológica e neurológica. Após o diagnóstico, a intervenção psicopedagógica com disléxicos objetiva dar suporte às atividades escolares, promovendo caminhos que facilitem o processo de aprendizagem da escrita e da leitura. Muitas vezes o psicopedagogo irá realizar intervenções junto à escola onde o cliente estuda, orientando os professores quanto à dislexia e a melhor forma de lidar com o aluno.

Ao contrário do que muitos pensam a dislexia não impossibilita a aprendizagem da leitura e da escrita, porém, por se tratar de um transtorno pouco conhecido pelos profissionais da Educação, o aluno disléxico geralmente é vítima de exigências que não consegue cumprir como os demais, pois para ele o ensino precisa ser diferenciado, oferecendo-lhe estratégias pedagógicas adequadas.

Por desconhecimento da escola e da família, muitas vezes a dislexia é confundida com falta de inteligência ou preguiça para estudar, e o disléxico, incompreendido, passa por situações constrangedoras que muitas vezes deixam marcas traumáticas, colaborando para o surgimento de comportamentos indisciplinados e agressivos, ou tímidos e inseguros. A intervenção clínica precoce possibilitará ao disléxico encontrar suas próprias estratégias de aprendizagem, superando as dificuldades escolares, aumentando sua autoestima e conquistando uma vida profissional sem nenhuma restrição.

A dislexia e outros transtornos da aprendizagem são tão complexos que a discussão sobre cada um não caberia no limitado espaço deste artigo. O que pretendi aqui foi transmitir informações que possam ajudar pais e professores a olharem com mais atenção para as crianças que não estão conseguindo aprender como o esperado. Sejam quais forem as dificuldades que encontrem, nosso dever é saber ajudá-las a superar, amando cada uma com a certeza de que são muito especiais.

Por: Kelly Campos - Psicopedagoga

quarta-feira, 28 de julho de 2010

10 MITOS DA PSICANÁLISE


Por Sílvana Tavano

O paciente fala deitado no divã e o analista só escuta, sentado numa poltrona confortável. Cliché no cinema, a cena nem sempre é exatamente essa nos consultórios. Aqui, toda a verdade sobre o folclore que envolve essa relação tão delicada.

Todas as terapias têm a mesma meta: lidar com a angústia e com o sofrimento, ajudando o paciente a ser mais feliz e a encontrar um sentido para a vida. Mas cada modalidade busca esses objetivos a sua maneira. Em alguns casos, a pessoa vai dramatizar e reviver situações pelas quais passou; em outros, vai tentar desatar nós desbloqueando tensões físicas. Na psicanálise, a fala é o fio condutor de um processo de autoconhecimento.

Tudo começou com Freud, no início do século passado: ao receber pacientes que já tinham consultado todos os médicos de Viena, sem sucesso. Freud percebeu que o ato de falar, sendo ouvido por alguém, era terapêutico. Mais do que isso, esse discurso podia trazer à tona conflitos que estavam em outro lugar além da mente racional, a esse lugar ele deu o nome de inconsciente. "Uma parte da mente a qual não temos acesso, mas que é capaz de produzir efeitos, como neuroses, angústias e sintomas físicos", explica a psicanalista Mania Deweik, de São Paulo.

A seguir, três especialistas falam sobre os mitos que cercam o assunto, mostrando que muito do que se diz sobre a psicanálise é um exagero.

1- O psicanalista nunca fala durante a sessão


"Eu falo e escuto, ensino, aprendo e também me divirto com meus pacientes", diz a psicanalista Mania Deweik. Segundo ela, talvez esse mito tenha surgido quando a obra de Freud foi traduzida do alemão para o inglês. "Ele escrevia de maneira literária, inspirava-se nos poetas, na tragédia grega, e seus discípulos ingleses entenderam que era preciso dar uma forma mais científica à sua teoria. Esse pode ter sido um dos fatores que contribuíram para a ideia de neutralidade."

Na prática, existem psicanalistas que mantêm uma atitude mais sisuda. "É uma questão de estilo pessoal. Tem quem seja mais reservado e há os que são expansivos. Mas isso não é uma regra da terapia", diz o psicanalista gaúcho David E. Zimerman.

2- Para ter resultado, é preciso fazer terapia durante muitos anos

Na época de Freud, os tratamentos terminavam em meses. Mas, ao longo das décadas, a psicanálise se desenvolveu como um processo que dura anos. Hoje a prática não corresponde a nenhuma das duas alternativas. "A psicanálise não pode ser definida como um tratamento breve, porque exige um tempo de elaboração, e esse tempo varia de pessoa para pessoa", diz a psicanalista Dulce Barras, de São Paulo. Na sua clínica, o usual é começar com duas sessões semanais, que podem se reduzir a uma, e o tratamento dura, em média, de três a cinco anos. Segundo Mania Deweik, o tratamento pode parecer longo para quem busca resultados imediatos contra a tristeza, o medo, a ansiedade. "Mas crescer não é um processo instantâneo. E, além disso, cada paciente tem sua história e seu ritmo", diz Mania.

3- A análise é um tratamento caro

A ideia de um tratamento elitizado, que só acontece entre quatro paredes e com um paciente pagando por infinitas sessões, já não corresponde à realidade. "A psicanálise está nas creches, nos postos de saúde e nas instituições de saúde mental", explica Mania Deweik O psicanalista David Zimerman afirma que a maioria das sociedades psicanalíticas mantém serviços ambulatoriais, com preços acessíveis à população. "Além disso, é normal analista e paciente conversarem e negociar a questão do dinheiro", diz Dulce Barros.

4- O paciente fala o tempo todo do passado, da mãe e do pai

É importante trazer do passado as situações que continuam a perturbar ou a se repetir no presente, mas isso não significa que a análise vai girar em torno disso. "O único passado que interessa é o que não foi suficientemente elaborado, isto é, entendido e aceito. Por isso, continua incomodando o paciente", explica Mania.

Segundo Zimerman, o assunto de cada sessão fica a critério do paciente. É comum que a pessoa fale sobre situações cotidianas, ligadas ao trabalho ou à família. Mas, através desses temas que fluem espontaneamente, muitas vezes é possível fazer uma conexão com situações similares que já aconteceram. "Essas associações trazem compreensão. É o que tecnicamente chamamos de 'insight'. Nesse momento, o paciente se dá conta de que está agindo de determinada maneira porque tende a reagir da mesma forma. São jeitos de se comportar ligados a traumas ou relacionamentos antigos", explica o psicanalista. Nas palavras de Dulce Barros, os fatos imediatos são uma consequência do passado. "Na análise, a pessoa percebe que existe esse processo de repetição e que isso só termina quando há uma compreensão do que aconteceu."

5- Tudo o que a pessoa faz tem a ver com sexo

Segundo David Zimerman, essa falsa crença tem origem no próprio Freud, que relacionava todas as angústias e sintomas a algum problema sexual. "Hoje essa visão se justifica só em certos casos. Na maioria das vezes, há outros aspectos a considerar e que são mais importantes do que as questões ligadas ao sexo", explica o psicanalista. A questão é que, para Freud, o conceito de sexualidade ia muito além do ato sexual genital, incluindo várias outras manifestações prazerosas. "Nesse contexto, o sexo não deve ser entendido como relacionamento homem-mulher, mas como todas as experimentações ligadas ao prazer", explica Dulce Barras.

6- Muitos pacientes se apaixonam pelo psicanalista

"Pode acontecer. Mas essa ‘paixão’ tem muitos coloridos, não só o do desejo sexual. Pode ser uma transferência da imagem da mãe, da amante, da competidora... Importante é que isso seja analisado como qualquer outra fantasia", explica Mania. Para Dulce, muitas vezes esse jogo de sedução esconde apenas uma outra forma de resistência. "O paciente imagina que, se encantar o médico, vai ser menos censurado." Nessa situação, o papel do psicanalista é decisivo. "Ele vai, sim, lidar com os sentimentos do paciente, mas não pode ficar envolvido com ele", explica Zimerman

7- O paciente não pode saber nada sobre o seu psicanalista


Freud atendia em sua própria casa, sob o mesmo teto em que moravam os oito filhos, a mulher e a cunhada. Portanto, a ideia de total neutralidade do profissional não tem nada a ver com ele, mas com a interpretação que seus seguidores fizeram de sua teoria. "Acredito que é preciso estabelecer limites, mas existem formas de olhar para isso. Cabe ao analista definir até que ponto a curiosidade do paciente é normal e a partir de que momento isso se transformar em mais um problema a ser trabalhado", explica Zimerman. Em uma relação tão íntima, muitas vezes o paciente passa a ver seu analista como um amigo, com quem gostaria de, por exemplo, poder sair para tomar um café. "Mas é importante preservar a cumplicidade que se conquistou dentro do consultório. Por isso, a relação não deve mudar de formato", explica Mania, Segundo ela, não há hierarquia, mas o relacionamento não é de igual para igual. "Um fala e o outro escuta, as posições que as pessoas ocupam são diferentes. Essa não é uma relação entre amigos", conclui Mania.

8- É obrigatório deitar no divã

O que define a análise não é o divã, mas a escuta do analista. Todos concordam, porém, que o divã pode facilitar. "Freud atendia até 15 pessoas por dia. Não é fácil ficar submetido ao olhar do outro durante tanto tempo, tentando, ao mesmo tempo, captar o que aquela pessoa está dizendo", diz Mania. Apesar disso, os pacientes ficam à vontade para ocupar o espaço que desejam em seu consultório. Para o psicanalista David Zimerman, a pessoa fica livre para decidir. "Mas considero uma conquista do paciente quando ele decide fazer análise deitado. Isso apenas demonstra que ele sente confiança e não tem necessidade de tentar controlar seu analista", Isso também não é obrigatório para a psicanalista Dulce Barros, mas ela admite que a terapia flui mais tranquilamente com o paciente deitado. "Quem usa o divã geralmente está relaxado e menos defensivo."

9- O psicanalista interpreta os sonhos


O sonho é um dos caminhos de acesso ao inconsciente e auxilia o trabalho de análise. "Mas é o paciente que traz associações relacionadas ao sonho", explica Dulce. O analista ajuda e estimula a pessoa a fazer as suas próprias interpretações. "Não se trata de um oráculo, alguém que está dizendo algo que o outro não sabe... Na prática, o analista só junta aquilo que o paciente está próximo de descobrir por si mesmo", explica Mania.

10- E muito fácil enganar o analista

Mesmo que o paciente minta, o analista tem como conduzir bem o tratamento. Na prática, isso não chega a ser importante, já que o analista não está preocupado com a veracidade dos fatos, mas com a forma como a pessoa conta suas verdades e também suas mentiras. "Mesmo que seja falsa, a história sempre vai ter a estrutura e o jeito de ser daquela pessoa. E isso é revelador", diz Mania. Para Zimerman, é importante que o analista assinale, em algum momento, que o paciente está mentindo para si mesmo em primeiro lugar.

COMO SABER SE ESTÁ FUNCIONANDO?


Ao longo do tempo, o paciente tem condições de saber se a terapia está surtindo efeito. "Quando a pessoa consegue mudar a realidade e percebe isso, ou se as coisas começam a dar certo no dia-a-dia, é possível associar essas situações a um tratamento bem sucedido", explica a psicanalista Dulce Barros. O inverso também vale: quando a vida não muda, talvez algo esteja errado. E esse algo pode ter a ver com o paciente ou com o terapeuta. Segundo os especialistas, é normal sentir um certo incômodo em alguns momentos e resistir às colocações do analista. Mas, se esses sentimentos persistem, é bom refletir sobre o que está acontecendo. "Quando não há empatia entre o paciente e o analista, por exemplo, o tratamento não evolui", explica a psicanalista Dulce.

Na prática, dá para se auto-avaliar a partir de situações cotidianas: o paciente que não falava em público de jeito nenhum pode comemorar como um grande passo o fato de enfrentar cinco minutos de exposição durante uma reunião de trabalho. "Da mesma forma, quem antes evitava conversar com qualquer autoridade, com medo de críticas, vai se sentir fortalecido quando puder encarar esses contatos com naturalidade, sem insegurança", explica Mania Deweik. Segundo ela, um dos bons efeitos da análise é fazer com que a pessoa se questione em cada situação, buscando saber por que reage de um jeito e não de outro.

PARA ENTENDER QUEM FAZ O QUÊ


PSICÓLOGO: Formado por uma faculdade de psicologia, esse profissional pode usar seus conhecimentos na organização de empresas, na aplicação de testes (como os de vocação profissional) e na educação (atuando unto a escolas). Em consultório, pode conduzir tratamentos baseados em outras correntes - terapia cognitiva, comportamental, breve, de grupo (como psicodrama), entre outras. Se o psicólogo complementar sua formação básica com um curso específico, poderá exercer também a psicanálise clínica, sem, porém, prescrever nenhum tipo de medicação.

PSIQUIATRA: Formado em Medicina, com especialização em psiquiatria, esse profissional lida com casos clínicos, de depressões graves a crises de pânico, cuidando de drogados, psicóticos ou pacientes que, muitas vezes, estão hospitalizados. O psiquiatra pode receitar remédios. Para ser também psicanalista, ele terá de fazer um curso complementar, e aí , sim, vai conduzir o tratamento de transtornos psíquicos em consultório.

PSICANALISTA: Esse profissional tem que ser formado em Psicologia ou psiquiatria e ainda deverá fazer uma formação específica em psicanálise. Além disso, deve se submeter à chamada análise didática (um processo pessoal de terapia, sob a supervisão de um profissional mais experiente) e defender uma tese junto a uma comissão especializada. O psicanalista está habilitado a usar o divã com seus pacientes e pode lidar comas questões ligadas ao inconsciente - as que determinam os traços de caráter e provocam angústias, conflitos, sintomas e transtornos.

•PSICOTERAPEUTA
O termo vale para o psicólogo, para o psiquiatra e para o psicanalista - todos são técnicos especializados e podem tratar pacientes comas mais diversas formas de psicoterapia.

(Extraído do livro "Psicanálise em Perguntas e Respostas - Verdades, Mitos e Tabus", de David E. Zimerman, Editora Artmed.)

Mitos e Verdades sobre a Terapia Cognitivo-Comportamental



A terapia cognitivo-comportamental (TCC) foi desenvolvida no bojo da revolução cognitiva da década de 60. Desde então, diversas pesquisas científicas vem sendo realizadas utilizando esta abordagem terapêutica e esta tem sido a psicoterapia de escolha em uma série de centros de saúde em todo mundo. Sua eficácia já foi confirmada, inclusive em estudos brasileiros, no tratamento da Depressão, o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), o Transtorno do Pânico, Transtornos Fóbicos, o abuso de substâncias, dentre muitas outras. A TCC foi adaptada para o trabalho com pacientes de todas as idades, mostrando ser efetiva no tratamento de crianças, adolescentes, adultos e idosos.

Apesar das evidências de sua eficácia tanto científica quanto na prática clínica, uma série de mitos a cerca da TCC vem surgindo. Dessa forma, o objetivo desse texto é esclarecer algumas dessas questões.

MITO 1: A TCC não é útil para quem busca terapia para autoconhecimento.

Na verdade, o autoconhecimento também é um objetivo da TCC, por meio da melhor e maior percepção de sua maneira de pensar, sentir e se comportar a pessoa pode se conhecer. Com a terapia, o indivíduo pode ainda ter acesso a crenças que antes não tinha consciência. Assim, a pessoa obtém uma compreensão melhor de si mesmo e com isso uma melhora em sua qualidade de vida.

MITO 2: A TCC usa protocolos fechados, categorizando e rotulando as pessoas.

Muitos centros de pesquisa utilizam protocolos de técnicas para o tratamento de determinados transtornos. Na verdade, a utilização desses protocolos torna-se importante para a comprovação científica da eficácia da TCC. No entanto, isso é diferente do que ocorre de uma forma geral nos consultórios. Aqui há uma conceituação cognitiva de cada paciente, em que se analisa sua história de vida, os fatores desencadeantes do problema apresentado, suas estratégias comportamentais, crenças e pensamentos. A partir disso, terapeuta e paciente traçam metas e objetivos, tornando o tratamento individualizado.

MITO 3 : Na TCC, o passado do pacientes não é importante.

A TCC prioriza os problemas e situações de vida atuais do paciente. No entanto, o passado também é relevante, sobretudo para o entendimento de como e quando as idéias disfuncionais importantes se originaram e como isso afeta o paciente hoje. Mas também volta-se ao passado quando o paciente expressa uma predileção por isso ou quando o tratamento visando o presente não produz a mudança cognitiva, comportamental e/ou emocional desejada.

MITO 4: Na TCC, os sentimentos e as emoções não são importantes.

No processo terapêutico as emoções e os sentimentos são muito importantes. Em geral, esses são um dos primeiros aspectos abordados na terapia, pois são mais facilmente identificáveis. Além disso, a TCC baseia-se no pressuposto de que pensamentos, emoções e comportamentos estão diretamente relacionados e se influenciam mutuamente.

MITO 5: O objetivo da TCC é analisar e modificar somente os comportamentos disfuncionais.


A TCC visualiza todas as áreas da vida do indivíduo, sejam estas sociais, afetivas, familiares, cognitivas e também comportamentais. Dessa forma, o comportamento é um dos aspectos observados e quando está disfuncional, este poderá ser modificado para promover a melhora na qualidade de vida do paciente.

MITO 6: A TCC não é eficaz com crianças, pois elas não teriam desenvolvidas as habilidades de raciocínio requeridas.


Diversos estudos mostram que a TCC é eficaz no tratamento de diferentes patologias infantis, como o TDAH, o transtorno opositivo desafiador, o TOC, transtornos ansiosos e a depressão e ainda na orientação aos pais. O terapeuta deve observar o nível de desenvolvimento da criança e utilizar técnicas inteligíveis para cada fase do desenvolvimento.

Por Narahyana Bom de Araujo
Psicóloga- CRP 05/39294
Terapeuta Cognitivo- comportamental
Telefones: (21) 21327397/ 91639062
E-mail: narahyana@hotmail.com

segunda-feira, 26 de julho de 2010

SÍNDROME DE BURNOUT . O QUE É ISSO?



Burnout é uma reação à tensão emocional crônica por lidar excessivamente com pessoas. Está geralmente ligada a fenômenos relacionados ao contexto do trabalho.

O termo Burnout foi inicialmente utilizado em 1953. No entanto, foi em meados dos anos 70 que Burnout chamou a atenção do público e da comunidade acadêmica americana, tendo emergido devido a um conjunto de fatores econômicos, sociais e históricos. Altas expectativas de satisfação e poucos recursos para lidar com frustração, é a base propícia para o desenvolvimento do Burnout.

Até os anos 80, Burnout foi investigado exclusivamente nos EUA. Gradualmente, passou a despertar interesse de outros países. No Brasil só na década de 90 que surgem os primeiros estudos, sendo que sua intensificação só ocorreu após o ano de 2001.

Os estudos mais recentes estão fundamentados numa perspectiva social e psicológica. É um construto formado por três dimensões relacionadas, mas independentes. Exaustão emocional, caracterizada pela falta ou carência de energia e entusiasmo e sentimento de esgotamento de recursos. Associados aos sentimentos de frustração e tensão, uma vez que os trabalhadores percebem não mais possuírem condições de desprender energia para vivenciar as relações no trabalho.

O trabalhador passa a vivenciar um sentimento de despersonalização. Isso ocorre quando o profissional passa a se relacionar de maneira distante e impessoal com seus clientes, colegas e com a própria organização a qual ele faz parte. Passando a desenvolver um sentimento de insensibilidade emocional frente às situações no trabalho, o que origina uma atitude de baixa realização no trabalho. Fazendo-se sentir insatisfeito com seu desenvolvimento profissional, experimentando um declínio no sentimento de competência e êxito.

Para a caracterização do Burnout, considera-se no mínimo cinco elementos comuns:a predominância de sintomas relacionados à exaustão mental e emocional, fadiga e depressão; ênfase nos sintomas comportamentais e mentais e não nos sintomas físicos; os sintomas são relacionados ao trabalho; manifestação em indivíduos que não sofriam de distúrbios psicopatológicos antes do surgimento da síndrome; diminuição da afetividade e do desempenho no trabalho decorrente de atitudes e comportamentos negativos.

A Síndrome de Burnout tem sido considerada de grande relevância social, uma vez que se encontra vinculada a grandes custos organizacionais. Além de possibilitar uma baixa qualidade de vida para o trabalhador, podendo ocasionar até mesmo a incapacidade total para o trabalho.

Como vimos, o Burnout acarreta grande sofrimento psicológico ao indivíduo, que na maioria das vezes recorre a vários especialistas até ser diagnosticado e tratado. A psicoterapia tem sido de grande importância para a identificação e tratamento. Já que a ênfase se dá aos sintomas comportamentais e mentais. Em alguns casos além da psicoterapia, torna-se necessário a utilização de terapêutica psicofarmacológica.

Diante de sintomas como relatados no texto torna-se necessária à busca de ajuda psicológica. A fim de minimizar os sintomas e possibilitar uma readequação a vida e conseqüentemente ao meio social e profissional.

Por Jorge Luiz Nascimento
Psicólogo – CRP 05/23118

Conhecendo a Terapia Cognitivo-Comportamental



Terapia cognitivo-comportamental (TCC) é um termo utilizado para descrever uma modalidade de psicoterapia que integra conceitos e técnicas cognitivas e comportamentais. A TCC baseia-se no pressuposto de que os pensamentos influenciam os sentimentos e comportamentos, sendo também, influenciados por eles. Dessa forma, os sentimentos, comportamentos e as reações fisiológicas estão diretamente relacionados à maneira como interpretamos as situações que vivemos, isto é, estão interligados aos pensamentos que temos acerca de nossas experiências.
Para entender melhor, citamos dois exemplos:

Exemplo 1:
Situação: Um aluno estudando para prova de vestibular
Pensamento automático: Nossa! Tem muita matéria, eu não vou conseguir aprender tudo isso!
Sentimento: Provavelmente, esse aluno se sentiria triste
Comportamento: Parar de estudar

Exemplo 2:
Situação: Um outro aluno também estudando para o vestibular
Pensamento automático: Eu vou conseguir estudar toda a matéria e assim vou obter boa nota na prova
Sentimento: Provavelmente, este estudante vai se sentir feliz
Comportamento: O aluno continuará estudando com mais afinco

A partir desses exemplos simples, podemos observar como nossos pensamentos influenciam o que sentimos e, por conseguinte, a forma como nos comportamos. Em geral, não damos importância ou nem mesmo temos consciência daquilo que pensamos, por vezes, somente é possível perceber os sentimentos relacionados a eles.

De uma maneira geral, são os pensamentos disfuncionais e/ou negativos que causam ou mantém o sofrimento emocional ou os distúrbios psicopatológicos. Pessoas com depressão, por exemplo, possuem um padrão de pensamento negativo, tendo pensamento do tipo ''Eu não sou bom o bastante'' ou ''Eu não tenho valor'' ou ainda ''Ninguém se importa comigo''. Já pessoas ansiosas poderão apresentar pensamentos como, ''É terrível quando as coisas não saem do jeito que a gente quer'' ou ''Tenho que estar sempre alerta para tudo dar certo''.

A origem desses pensamentos está em nossas crenças, as quais formamos logo na infância. Assim, podemos identificar três níveis de cognições que estão interligadas:

Nível 1: Pensamento automático - Nível cognitivo mais superficial, são espontâneos e surgem em nossa mente diante de qualquer situação cotidiana.

Nível 2: Crenças intermediárias - Segundo nível da estrutura cognitiva, ocorrerem na forma de suposições e regras.

Nível 3: Crenças Centrais - Nível cognitivo mais profundo, em geral desenvolvido na infância. São compostas por idéias rígidas e globais sobre si mesmo, o mundo e os outros.

Para ilustrar esses níveis cognitivos, vamos utilizar o exemplo citado acima do estudante que pensa que não conseguirá estudar toda a matéria da prova. Supondo que este estudante tenha esse tipo de pensamento em diversas situações, tendo pensamentos automáticos como ''Não conseguirei fazer a apresentação do trabalho da escola'', ''Todos conseguem tirar boas notas, menos eu'' e ''Não conseguirei passar do vestibular''. Provavelmente, esse estudante tem crenças intermediárias do tipo ''Devo me dedicar muito para conseguir algo'' e/ou ''Eu deveria me esforçar mais''. Possivelmente sua crença central é ''Sou incapaz''.

Portanto, é por meio da mudança desses pensamentos e crenças que podemos modificar os sentimentos e comportamentos disfuncionais e indesejáveis. Assim, a proposta aqui é pensar de uma maneira mais realista e funcional! Igualmente, mudanças em nossos comportamentos influenciam o modo como pensamos e também nos sentimos.

A TCC baseia-se em um modelo colaborativo, isto é, paciente e terapeuta participam ativamente do processo terapêutico. A proposta é um tratamento mais breve e focal, por isso a TCC possui uma duração mais limitada. O enfoque da terapia é em problemas e situações atuais. O terapeuta ensina o paciente a ser seu próprio terapeuta através do uso de técnicas para que este seja capaz de evitar recaídas. As técnicas podem ser cognitivas e/ou comportamentais. As técnicas cognitivas visam identificar, testar e modificar os pensamentos e crenças disfuncionais. As técnicas comportamentais são empregadas para modificar condutas disfuncionais relacionadas com o transtorno psicopatológico ou com o sofrimento psíquico.

Então, vamos colocar nosso pensamento em ação, ou melhor, em modificação!

Para saber mais:
- BECK, J. Terapia Cognitivo Comportamental. Teoria e Prática. Porto Alegre: Artmed, 1997.
- GREENBERGER, D. E PADESKY, F. A mente vencendo o humor. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
- RANGÉ, B. (org.). Psicoterapias Cognitivo–Comportamentais: Um Diálogo com a Psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2001.

Por Narahyana Bom de Araujo
Psicóloga- CRP 05/39294
Terapeuta Cognitivo- comportamental
Telefones: (21) 21327397/ 91639062
E-mail: narahyana@hotmail.com

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Desmistificando a Hipnose



Ao contrario de como se pensava, a hipnose não é uma espécie de sono que deixa os indivíduos mais submissos, pelo contrário, ela vem cada vez mais se tornando uma ferramenta bastante eficaz nos tratamentos médicos, psicológicos e odontológicos.

A hipnose é um fenômeno natural do ser humano, ocorrendo diariamente em nossas vidas. Pode ser definida como um estado alterado de consciência, onde a pessoa hipnotizada não dorme e nem perde o controle.

A hipnose hoje vem sendo utilizada com bastante eficácia nos tratamentos, como:

• Estresse
• Fobias
• Medo
• Ansiedade
• Auto-estima
• Timidez
• Dificuldade de Aprendizagem
• Depressão
• Pânico
• Outros


Mitos sobre a Hipnose


Ainda hoje existem vários, porque não dizer muitos mitos e medos sobre a hipnose. Talvez devido ao surgimento da chamada hipnose de palco, ainda em tempos remotos, onde o artista hipnólogo fazia várias brincadeiras, e ainda faz, com o sujeito hipnotizado, com o intuito de divertir a platéia, sugerindo de forma muito forte, de que ele, o hipnólogo, tem o poder de controlar totalmente o indivíduo hipnotizado, mistificando assim a hipnose.

Ficar Sobre o Controle do Hipnólogo, Hipnoterapeuta etc.


Hoje, muitas pessoas têm medo de ficar sob o controle do hipnólogo e de fazer coisas as quais ele não faria de maneira alguma. É um medo muito grande e totalmente irreal, porque o indivíduo em transe, não perde nunca o controle, nem é capaz de ficar a mercê do hipnólogo. Ele estará sempre no controle.

Por exemplo, certos filmes mostram que o indivíduo foi hipnotizado e que tempos após ao receber um telefonema, através de um comando pós hipnótico, ele recebe uma ordem para assassinar certa pessoa e sob a hipnose ele cumpre este comando . Isto não tem a menor possibilidade de existir a não ser em filme.

Ficar Preso no Transe

Um outro mito muito forte que observo no dia a dia, e que muitas pessoas tem medo. Por exemplo, se fizer uma regressão etária, ficar presa no transe e não voltar mais para a realidade. Uma inverdade, pois para sair do transe basta apenas que o indivíduo queira sair e abra os seus olhos.

Falar o Que Não Quer


Outras pessoas têm medo de ao entrar em transe, falar sobre algo que não deseja compartilhar com ninguém. Acha que ao ser perguntado sobre determinado assunto, vai dissertar sobre ele, contando seus segredos. É mais um mito, uma lenda, pois a pessoa em transe não fala sobre nada que não quer falar. Ela estará sempre no controle. E, detalhe, na hipnoterapia pouco o paciente fala.

Na Hipnose Nós Dormimos

Errado, no transe hipnótico o paciente não dorme. Ele entra num estado de relaxamento muscular geral, onde seu inconsciente fica mais suscetível a receber e aceitar sugestões, desde que estas estejam de acordo com a sua ética.

Como no transe mais profundo, o paciente apresenta um relaxamento muscular geral, fica imóvel, a sua respiração fica mais compassada, mais lenta, quem observa tem a perspectiva de que ele esta dormindo.

Se o paciente dormir durante o transe, nós terapeutas perderemos o contato e não vai adiantar nada fazermos sugestões.

Hipnose é Coisa de Religião


Muitas pessoas também acham que a hipnose coisa ligada à religião. Não tem nada de verdade nisso. A hipnose é um estado natural do ser humano, que independe desta ou daquela religião.

Durante o Transe Nós Saímos do Ar

Não existe isto de sair do ar, de ficar desligado durante o transe. Você estará sempre no controle, ouvindo e reagindo a tudo que hipnoterapeuta fala. O que acontece é que existem alguns fenômenos naturais do transe, sendo um deles é que você pode fazer uma amnésia espontânea e não lembrar de nada que ocorreu, porém isto não é muito comum.

Por Leonardo G. Barros
Psicólogo – CRP 05/35269
Especialista em Hipnose pela Sociedade de Hipnose Médica do Rio de Janeiro (SOHIMERJ), Vice – Diretor Do Instituto Brasileiro de Hipnose Ericksoniana (IBRHE) e Co-Autor do Livro Hipnose Ericksoniana para Principiantes

quarta-feira, 7 de julho de 2010

EQUILÍBRIO EMOCIONAL: Ganhamos quando não o perdemos


Derrota da seleção brasileira na Copa do Mundo 2010. Adiamos o hexacampeonato. Tristeza e revolta nacional. De quem é a culpa? Dunga? Felipe Melo? Será que há apenas um culpado? O que aconteceu no jogo Brasil x Holanda? Essa é a pergunta que paira na cabeça de milhões de brasileiros frustrados com a perda. Cada qual com sua teoria tentando justificar o ocorrido, todos se tornam técnicos de futebol. O fato é: por tratar-se de um jogo, quando um ganha, o outro perde, faz parte da competição. Dessa vez, nossa seleção perdeu.


Como não sou exatamente fã de futebol (acompanho apenas a Copa do Mundo) e tampouco entendo de escalação, posições e funções de jogadores, não quero e nem teria condições de dissertar aqui sobre quais seriam as melhores estratégias para o tão esperado título para o Brasil. No entanto, acho oportuno falar sobre como o aspecto emocional influencia no desempenho de atletas em competições. Como é importante estar emocionalmente equilibrado para se atingir a tão desejada vitória, seja ela num jogo ou mesmo no cotidiano, quando traçamos nossas metas de vida.


Como o desequilíbrio psicológico pode atrapalhar nossos objetivos? Acredito que isto tenha ficado muito claro na última partida da seleção brasileira na Copa. Todos nós vimos, de início, um time pronto para vencer, motivado, mas que no primeiro sinal de dificuldade perdeu toda sua estabilidade, mostrando-se perdido em campo e afastando-se cada vez mais da possibilidade de vitória. O quanto colocamos a perder em nossas vidas quando não conseguimos superar obstáculos e nos desesperamos diante deles?


A todo momento enfrentamos adversidades, situações não previstas que nos exigem certo grau de equilíbrio e amadurecimento emocional. Um indivíduo equilibrado é aquele que diante dos problemas e imprevistos, consegue encontrar soluções coerentes, de forma que isto não gere angústia, ansiedade e sofrimento em níveis muito elevados.


Não é tarefa fácil chegar a este ponto, porém também não é impossível. Não precisamos (e nem devemos) ser “Felipe Melo” e pôr tudo a perder. É bem verdade, a Copa do Mundo é só uma competição. Foi apenas um jogo. No entanto, seja no esporte ou nos diversos aspectos da vida, fatores comportamentais, motivacionais, emocionais e psicológicos podem ser decisivos. Cabe ao indivíduo buscar recursos internos para manter-se equilibrado diante de tudo que estamos sujeitos, pelo simples fato de, na maioria das vezes, não podermos controlar o ambiente que nos cerca e os acontecimentos que independem de nossas escolhas e decisões.


Por Fernanda Bastos

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