
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) foi desenvolvida no bojo da revolução cognitiva da década de 60. Desde então, diversas pesquisas científicas vem sendo realizadas utilizando esta abordagem terapêutica e esta tem sido a psicoterapia de escolha em uma série de centros de saúde em todo mundo. Sua eficácia já foi confirmada, inclusive em estudos brasileiros, no tratamento da Depressão, o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), o Transtorno do Pânico, Transtornos Fóbicos, o abuso de substâncias, dentre muitas outras. A TCC foi adaptada para o trabalho com pacientes de todas as idades, mostrando ser efetiva no tratamento de crianças, adolescentes, adultos e idosos.
Apesar das evidências de sua eficácia tanto científica quanto na prática clínica, uma série de mitos a cerca da TCC vem surgindo. Dessa forma, o objetivo desse texto é esclarecer algumas dessas questões.
MITO 1: A TCC não é útil para quem busca terapia para autoconhecimento.
Na verdade, o autoconhecimento também é um objetivo da TCC, por meio da melhor e maior percepção de sua maneira de pensar, sentir e se comportar a pessoa pode se conhecer. Com a terapia, o indivíduo pode ainda ter acesso a crenças que antes não tinha consciência. Assim, a pessoa obtém uma compreensão melhor de si mesmo e com isso uma melhora em sua qualidade de vida.
MITO 2: A TCC usa protocolos fechados, categorizando e rotulando as pessoas.
Muitos centros de pesquisa utilizam protocolos de técnicas para o tratamento de determinados transtornos. Na verdade, a utilização desses protocolos torna-se importante para a comprovação científica da eficácia da TCC. No entanto, isso é diferente do que ocorre de uma forma geral nos consultórios. Aqui há uma conceituação cognitiva de cada paciente, em que se analisa sua história de vida, os fatores desencadeantes do problema apresentado, suas estratégias comportamentais, crenças e pensamentos. A partir disso, terapeuta e paciente traçam metas e objetivos, tornando o tratamento individualizado.
MITO 3 : Na TCC, o passado do pacientes não é importante.
A TCC prioriza os problemas e situações de vida atuais do paciente. No entanto, o passado também é relevante, sobretudo para o entendimento de como e quando as idéias disfuncionais importantes se originaram e como isso afeta o paciente hoje. Mas também volta-se ao passado quando o paciente expressa uma predileção por isso ou quando o tratamento visando o presente não produz a mudança cognitiva, comportamental e/ou emocional desejada.
MITO 4: Na TCC, os sentimentos e as emoções não são importantes.
No processo terapêutico as emoções e os sentimentos são muito importantes. Em geral, esses são um dos primeiros aspectos abordados na terapia, pois são mais facilmente identificáveis. Além disso, a TCC baseia-se no pressuposto de que pensamentos, emoções e comportamentos estão diretamente relacionados e se influenciam mutuamente.
MITO 5: O objetivo da TCC é analisar e modificar somente os comportamentos disfuncionais.
A TCC visualiza todas as áreas da vida do indivíduo, sejam estas sociais, afetivas, familiares, cognitivas e também comportamentais. Dessa forma, o comportamento é um dos aspectos observados e quando está disfuncional, este poderá ser modificado para promover a melhora na qualidade de vida do paciente.
MITO 6: A TCC não é eficaz com crianças, pois elas não teriam desenvolvidas as habilidades de raciocínio requeridas.
Diversos estudos mostram que a TCC é eficaz no tratamento de diferentes patologias infantis, como o TDAH, o transtorno opositivo desafiador, o TOC, transtornos ansiosos e a depressão e ainda na orientação aos pais. O terapeuta deve observar o nível de desenvolvimento da criança e utilizar técnicas inteligíveis para cada fase do desenvolvimento.
Por Narahyana Bom de Araujo
Psicóloga- CRP 05/39294
Terapeuta Cognitivo- comportamental
Telefones: (21) 21327397/ 91639062
E-mail: narahyana@hotmail.com

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