Terapia cognitivo-comportamental (TCC) é um termo utilizado para descrever uma modalidade de psicoterapia que integra conceitos e técnicas cognitivas e comportamentais. A TCC baseia-se no pressuposto de que os pensamentos influenciam os sentimentos e comportamentos, sendo também, influenciados por eles. Dessa forma, os sentimentos, comportamentos e as reações fisiológicas estão diretamente relacionados à maneira como interpretamos as situações que vivemos, isto é, estão interligados aos pensamentos que temos acerca de nossas experiências.
Para entender melhor, citamos dois exemplos:
Exemplo 1:
Situação: Um aluno estudando para prova de vestibular
Pensamento automático: Nossa! Tem muita matéria, eu não vou conseguir aprender tudo isso!
Sentimento: Provavelmente, esse aluno se sentiria triste
Comportamento: Parar de estudar
Exemplo 2:
Situação: Um outro aluno também estudando para o vestibular
Pensamento automático: Eu vou conseguir estudar toda a matéria e assim vou obter boa nota na prova
Sentimento: Provavelmente, este estudante vai se sentir feliz
Comportamento: O aluno continuará estudando com mais afinco
A partir desses exemplos simples, podemos observar como nossos pensamentos influenciam o que sentimos e, por conseguinte, a forma como nos comportamos. Em geral, não damos importância ou nem mesmo temos consciência daquilo que pensamos, por vezes, somente é possível perceber os sentimentos relacionados a eles.
De uma maneira geral, são os pensamentos disfuncionais e/ou negativos que causam ou mantém o sofrimento emocional ou os distúrbios psicopatológicos. Pessoas com depressão, por exemplo, possuem um padrão de pensamento negativo, tendo pensamento do tipo ''Eu não sou bom o bastante'' ou ''Eu não tenho valor'' ou ainda ''Ninguém se importa comigo''. Já pessoas ansiosas poderão apresentar pensamentos como, ''É terrível quando as coisas não saem do jeito que a gente quer'' ou ''Tenho que estar sempre alerta para tudo dar certo''.
A origem desses pensamentos está em nossas crenças, as quais formamos logo na infância. Assim, podemos identificar três níveis de cognições que estão interligadas:
Nível 1: Pensamento automático - Nível cognitivo mais superficial, são espontâneos e surgem em nossa mente diante de qualquer situação cotidiana.
Nível 2: Crenças intermediárias - Segundo nível da estrutura cognitiva, ocorrerem na forma de suposições e regras.
Nível 3: Crenças Centrais - Nível cognitivo mais profundo, em geral desenvolvido na infância. São compostas por idéias rígidas e globais sobre si mesmo, o mundo e os outros.
Para ilustrar esses níveis cognitivos, vamos utilizar o exemplo citado acima do estudante que pensa que não conseguirá estudar toda a matéria da prova. Supondo que este estudante tenha esse tipo de pensamento em diversas situações, tendo pensamentos automáticos como ''Não conseguirei fazer a apresentação do trabalho da escola'', ''Todos conseguem tirar boas notas, menos eu'' e ''Não conseguirei passar do vestibular''. Provavelmente, esse estudante tem crenças intermediárias do tipo ''Devo me dedicar muito para conseguir algo'' e/ou ''Eu deveria me esforçar mais''. Possivelmente sua crença central é ''Sou incapaz''.
Portanto, é por meio da mudança desses pensamentos e crenças que podemos modificar os sentimentos e comportamentos disfuncionais e indesejáveis. Assim, a proposta aqui é pensar de uma maneira mais realista e funcional! Igualmente, mudanças em nossos comportamentos influenciam o modo como pensamos e também nos sentimos.
A TCC baseia-se em um modelo colaborativo, isto é, paciente e terapeuta participam ativamente do processo terapêutico. A proposta é um tratamento mais breve e focal, por isso a TCC possui uma duração mais limitada. O enfoque da terapia é em problemas e situações atuais. O terapeuta ensina o paciente a ser seu próprio terapeuta através do uso de técnicas para que este seja capaz de evitar recaídas. As técnicas podem ser cognitivas e/ou comportamentais. As técnicas cognitivas visam identificar, testar e modificar os pensamentos e crenças disfuncionais. As técnicas comportamentais são empregadas para modificar condutas disfuncionais relacionadas com o transtorno psicopatológico ou com o sofrimento psíquico.
Então, vamos colocar nosso pensamento em ação, ou melhor, em modificação!
Para saber mais:
- BECK, J. Terapia Cognitivo Comportamental. Teoria e Prática. Porto Alegre: Artmed, 1997.
- GREENBERGER, D. E PADESKY, F. A mente vencendo o humor. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
- RANGÉ, B. (org.). Psicoterapias Cognitivo–Comportamentais: Um Diálogo com a Psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2001.
Por Narahyana Bom de Araujo
Psicóloga- CRP 05/39294
Terapeuta Cognitivo- comportamental
Telefones: (21) 21327397/ 91639062
E-mail: narahyana@hotmail.com

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